Guia Clínico de Pediatria - Bradford VTS
⚠️
Diretrizes atualizadas para 2026:
As diretrizes NICE NG143 para febre foram atualizadas com um sistema de semáforo revisado. O reconhecimento da doença de Kawasaki foi aprimorado (emenda NG143 de 2019). Os limiares de saturação de oxigênio para bronquiolite foram atualizados (NG9 de agosto de 2021). Novas diretrizes colaborativas BTS/NICE/SIGN para asma (NG245 de novembro de 2024) incluem recomendações antecipadas para a terapia MART.
👶

Guia Clínico de Pediatria

Conhecimento clínico abrangente para médicos de família em formação - Estilo Bradford VTS

🍵

Aprendizagem que envolve chá

Pedaços fáceis de digerir, perfeitos para a sua pausa para o café.

Para médicos residentes de clínica geral com pouco tempo disponível.

Guias de referência rápida e conhecimento essencial

🚩

Bandeira Vermelha Focada

Sinais críticos e quando se preocupar são destacados

Data da atualização: Março 2026 | Diretrizes: NICE NG143 (2026), BTS/NICE/SIGN NG245 (novembro de 2024)

📋 Resumo Executivo

🎯 Pontos de Aprendizagem

  • Abordagem de avaliação sistemática ABC + RED BURT
  • Sistema de semáforo NICE para febre em menores de 5 anos
  • dosagens e protocolos de medicamentos de emergência
  • Sinais de alerta para doenças graves
  • Redes de segurança e quando encaminhá-las
  • Avaliação do desenvolvimento e crescimento infantil normal
  • Triagem neonatal e exame NIPE
  • Calendários de vacinação infantil

📊 Informações rápidas

  • Crianças representam 20% da população do Reino Unido.
  • 30% são frequentadores assíduos (≥4 visitas/ano)
  • Em média, um clínico geral atende de 400 a 600 crianças a cada seis meses.
  • A maioria das doenças graves ocorre em menores de 5 anos.
  • O instinto dos pais geralmente está certo: ouçam!
  • 90% dos casos de doença meningocócica ocorrem em crianças menores de 5 anos.
  • As convulsões febris afetam 3% das crianças.

📥 Recursos e Downloads

Recursos essenciais e materiais de referência rápida

caminho: PEDIATRIA

🧠 Dicas Inteligentes: Sabedoria Pediátrica Essencial

As pérolas de sabedoria que farão de você um profissional da pediatria.

✅ Regras de Ouro

  • .Ouça os pais: Eles conhecem seus filhos melhor do que ninguém – seu instinto geralmente está correto.
  • .As crianças podem mergulhar e se recuperar: Isso é normal. O que NÃO é normal é o preço cair e não voltar a subir.
  • .Alimentação e hidratação: Pergunte sobre fraldas molhadas - sinal de alerta se nenhuma estiver molhada por mais de 12 horas.
  • .Resistente a ser examinado? Crianças alertas e ativas resistem ao exame físico; caso contrário, sinal de alerta.
  • .Comunicação: Converse com a criança e também com os pais – a comunicação adequada à idade constrói confiança.
  • ⚠️ As crianças mudam muito rápido! Ponto crítico: A pediatria é perigosa porque as crianças podem estar bem num momento e piorar rapidamente no seguinte (e vice-versa).

    Sempre se lembre:
    • .Forneça orientações claras e explícitas sobre medidas de segurança.
    • .Anote as instruções se a informação for complexa.
    • .Confie no seu instinto,
    • .Procure uma segunda opinião se estiver em dúvida.
    • .Leve em consideração as expectativas e preocupações dos pais.

🧩 Auxílios de memória

ABC + RED BURT (Avaliação de Criança Doente):

ABC: Alerta, Respiração, Cor | RED BURT: Receptividade, Contato visual, Ingestão de líquidos, Respiração, Urina, Erupção cutânea, Temperatura

SÓCRATES (Avaliação da Dor):

Localização, Início, Característica, Irradiação, Associações, Curso temporal, Fatores agravantes, Gravidade

4 T's (Doença Cardíaca Cianótica):

Tetralogia de Fallot, Transposição, Atresia tricúspide, Tronco arterioso

Exame NIPE:

Olhos, coração, quadris, testículos (masculino) - Exame físico de recém-nascidos e lactentes

🎯 Estrutura de Tomada de Decisão Clínica

Abordagem vermelha, amarela e verde para decisões clínicas pediátricas

Principal conclusão do Dr. Edward Snelson (Pediatra Consultor): A maioria das doenças infantis é dinâmica demais para que uma análise momentânea seja totalmente válida. Não se trata apenas do semáforo atual, mas sim de como os sinais estão mudando e o que você fará com essa informação.

GPacientes VERDES

Fácil de gerenciar - Tomada de decisões clara

  • • Infecção respiratória aguda viral simples
  • • Espera vigilante
  • • Redes de segurança adequadas
  • • Tranquilizar os pais

RPacientes RED

Fácil de gerenciar - Ação clara necessária

  • • Características da meningite
  • • Administrar benzilpenicilina
  • • Ambulância 999
  • • Admissão imediata

APacientes AMBER

Decisões complexas - Requerem reflexão cuidadosa

  • • Nem verde, nem vermelho
  • • Considere a trajetória da doença
  • • Múltiplas opções de gerenciamento
  • • Onde reside a complexidade

Principais fatores de tomada de decisão:

  • . Confiança dos pais: Podem eles solicitar uma reavaliação adequada?
  • . Preocupações com a proteção: Algum problema relacionado à proteção de crianças?
  • . Parâmetros fisiológicos: É necessário documentar a melhora (especialmente da frequência cardíaca)?
  • . Segunda opinião: A avaliação de outro profissional clínico agregaria valor?
  • . Rede de segurança: Capacitar os pais para que façam avaliações dinâmicas e contínuas.

Lembre-se: as crianças mudam muito rápido! A pediatria é perigosa porque as crianças podem estar bem num momento e piorar rapidamente no seguinte (e vice-versa). Forneça sempre conselhos de segurança claros e explícitos. Anote-os se a informação for complexa.

🍼 Orientações para a alimentação infantil

Padrões e volumes essenciais de alimentação para o desenvolvimento saudável do bebê.

Princípio fundamental: À medida que os bebês crescem, eles se adaptam a rotinas de alimentação mais previsíveis e passam períodos mais longos à noite sem precisar mamar.

IdadeVolume por porçãoFrequênciaNotas
Primeiros dias1.5-3 oz (45-90 ml)A cada 2-3 horasPequenas refeições frequentes
Sobre os meses 24-5 oz (120-150 ml)A cada 3-4 horasEstabelecer uma rotina
Sobre os meses 44-6 oz (120-180 ml)Em cada alimentaçãoPadrão mais previsível
Sobre os meses 66-8 oz (180-230 ml)4-5 vezes por diaO desmame pode começar.

✅ Sinais de alimentação adequada:

  • • Fraldas molhadas regulares (pelo menos 6 por dia após o 5º dia)
  • • Ganho de peso constante
  • • Conteúdo entre feeds
  • • Alerta e ativo quando acordado
  • • Boa cor e tom de pele

🚩 Sinais de alerta - Problemas de alimentação:

  • • Sem fralda molhada por mais de 12 horas
  • • Alimentação inadequada ou recusa alimentar
  • • Perda de peso excessiva (>10% do peso ao nascer)
  • • Letárgico ou difícil de despertar
  • • Vômitos persistentes
  • • Sinais de desidratação

Questões históricas importantes:

  • • "Como está indo a alimentação?" - Comece com uma pergunta aberta.
  • • "Quanto eles estão levando?" - Volumes específicos
  • • "Com que frequência eles se alimentam?" - Padrão de frequência
  • • "Quando foi a última vez que eles fizeram xixi na fralda?" - Estado de hidratação
  • • "Algum vômito ou regurgitação?" - Retenção
  • • "Como eles estão entre as mamadas?" - Contentamento
"Você não precisa ser pediatra para prestar um excelente atendimento pediátrico. Basta saber quando se preocupar, quando tratar e quando encaminhar. A maioria das crianças melhora com o tempo, carinho e atenção, além de medidas de segurança adequadas. Confie no seu julgamento clínico, ouça os pais e não hesite em pedir conselhos quando necessário."
— Guia Clínico VTS de Bradford

👶 A Criança Normal

Referência sobre desenvolvimento, imunização e procedimentos clínicos

👶 A Criança Normal

Compreendendo o desenvolvimento, o crescimento e o comportamento normais.

Princípio-chave:

O desenvolvimento normal apresenta grande variação. Concentre-se no padrão e na trajetória geral, em vez de atrasos isolados. A preocupação dos pais é sempre importante.

🧠 Avaliação do Desenvolvimento e Crescimento Infantil

Desenvolvimento normal, acompanhamento do crescimento e quando se preocupar

Marcos de desenvolvimento
IdadeMotor brutoCoordenação motora fina e visãoFala e AudiçãoSocial e Pessoal
6 semanasMantém a cabeça erguida brevemente quando está deitado.Segue o rosto/objeto brilhanteArrulhos e gorgolejosSorriso social
3 mesesBom controle da cabeça quando segurada.Segura o chocalho brevemente quando colocado na mão.Balbucia, riRi e dá gritinhos de prazer.
6 mesesSenta-se com apoio, rolaTransfere objetos de uma mão para outra.Sílabas duplas (mamãe, papai - sem significado)A consciência sobre estranhos começa
9 mesesSenta-se sem apoio, engatinha.desenvolvimento da preensão em pinçaDiz mamãe/papai com significadoAcena tchau, brinca de esconde-esconde.
12 mesesCaminhadas com apoio (cruzeiro)Aperto de pinça precisoPrimeiras palavras (2-3 palavras)Pontos a compartilhar de interesse
18 mesesAnda e corre de forma independenteTorre de 3 blocos, rabiscosFala de 10 a 20 palavras e entende comandos simples.Brincadeira simbólica (alimenta a boneca)
2 AnosCorre bem, chuta a bola, salta.Torre de 6 blocos, rabisco circularMais de 50 palavras, frases de 2 palavrasBrincadeiras paralelas, acessos de raiva
3 AnosTriciclo com pedais, fica em pé sobre um pé.Copia o círculo, usa tesouraFrases, faz perguntasBrincadeiras em grupo, já usa o banheiro sozinha
🚩 Sinais de alerta para atraso no desenvolvimento:

Desenvolvimento do motor:

  • • Não ficar sentado por 12 meses
  • • Não andar aos 18 meses
  • • Perda de habilidades previamente adquiridas
  • • Reflexos primitivos persistentes
  • • Assimetria significativa

Fala e linguagem:

  • • Não balbucia aos 12 meses
  • • Sem palavras aos 18 meses
  • • Não usar frases de duas palavras aos 2 anos de idade
  • • Fala não compreendida por estranhos aos 3 anos de idade
  • • Regressão nas habilidades linguísticas
📈 Avaliação de Crescimento:

Padrões de crescimento normais:

  • . Peso ao nascer: Recuperado em 10 a 14 dias
  • . 0-3 meses: 150-200g/semana
  • . 3-6 meses: 100-150g/semana
  • . 6-12 meses: 70-90g/semana
  • . 1-2 anos: 2-3 kg/ano
  • . 2-puberdade: 2 kg/ano

Crescimento vacilante:

Definição: Queda sustentada de 2 percentis em 2 intervalos de pesagem na curva de crescimento da OMS.

🔍 Triagem Neonatal

Mancha de sangue do recém-nascido (Guthrie):
  • • 5º ao 8º dia de vida
  • • PKU (fenilcetonúria)
  • • Hipotireoidismo congênito
  • • Fibrose cística
  • • Doença falciforme
  • • MCADD (distúrbio metabólico)
Triagem auditiva:
  • • Nas primeiras semanas
  • • Emissões otoacústicas automatizadas (AOAE)
  • • Resposta auditiva automatizada do tronco encefálico (AABR)
  • • Consulte um especialista se a resposta não for clara.
Exame NIPE:
  • • Nas primeiras 72 horas de vida
  • • Olhos (catarata, reflexo vermelho)
  • • Coração (sopros, pulsos)
  • • Quadris (displasia do desenvolvimento)
  • • Testículos (não descidos)

🧠 Desenvolvimento Emocional e Psicológico

IdadeComportamento normalPreocupações comunsQuando se preocupar
0-6 mesesO choro atinge o pico às 6 semanas e diminui entre os 3 e 4 meses.Cólicas, padrões de sonoSem sorriso social às 8 semanas
6-12 mesesAnsiedade de separação, ansiedade de encontro com estranhosRegressão do sono, problemas de alimentaçãoSem balbucios aos 12 meses
anos 1-2Birras, negativismo, brincadeiras paralelasTreinamento para usar o banheiro, comportamentoNenhuma palavra aos 18 meses
anos 2-5Brincadeiras imaginativas, perguntas, medosProblemas de comportamento e sonoNada de brincadeiras de faz de conta aos 3 anos.

💉 Calendário de Vacinação do Reino Unido 2026

Programa atual de imunização infantil no Reino Unido

Horário principal:

IdadeVacinasDoenças contra as quais se tem proteção
8 semanas6 em 1 (DTPa/IPV/Hib/HepB)
Pneumocócica (PCV13)
Rotavirus
MenB
Difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, Hib, hepatite B, doença pneumocócica, rotavírus, meningococo B
12 semanas6 em 1 (2ª dose)
Rotavírus (2ª dose)
Como acima
16 semanas6 em 1 (3ª dose)
Pneumocócica (2ª dose)
MenB (2ª dose)
Como acima
1 anoHib/MenC
MMR
Pneumocócica (3ª dose)
MenB (3ª dose)
Hib, meningococo C, sarampo, caxumba, rubéola, pneumococo, meningococo B
anos 2-10Gripe (anual)Gripe sazonal
Anos 3 4 meses4 em 1 (DTaP/IPV)
MMR (2ª dose)
Difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola
12-13 anos (meninas)HPV (2 doses)Papilomavírus humano
14 Anos3 em 1 (Td/IPV)
Homens ACWY
Tétano, difteria, poliomielite, meningococo ACWY

Administração e Segurança

Administração:
  • • Verificar identidade e consentimento
  • • Coxa anterolateral (<1 ano)
  • • Músculo deltoide (>1 ano)
  • • Locais diferentes para múltiplas vacinas
  • • Registre os números dos lotes
  • • Observe por 15 minutos
Contra-indicações:
  • • Imunodeficiência grave
  • • Reação grave anterior
  • • Doença febril aguda
  • • Gravidez (vacinas vivas)
  • • Imunoglobulina recente (MMR)
Eventos adversos:
  • • Reações locais comuns
  • • Febre, irritabilidade
  • • Anafilaxia rara (1 em 1,000,000)
  • • Reporte eventos adversos graves à MHRA.
  • • Tenha o equipamento de reanimação à mão

🩺 Procedimentos Pediátricos

Procedimentos e medições comuns em crianças

Medidas de crescimento:

  • • Peso: balança eletrônica, de preferência sem roupa
  • • Duração: <2 anos deitado, >2 anos em pé
  • • Circunferência da cabeça: maior circunferência occipitofrontal
  • • Registre em gráficos de crescimento apropriados
  • • Considere a idade corrigida se for prematura.
  • • Procure por percentis que se cruzam

Venopunção em crianças:

  • • Use anestésico tópico (EMLA, Ametop)
  • • Técnicas de distração
  • • Contenção/posicionamento adequados
  • • Considere agulhas em forma de borboleta
  • • Fossa antecubital, dorso da mão
  • • Recompensa após o procedimento

Coleta de urina:

  • • Captura limpa (preferencial)
  • • Almofadas coletoras de urina
  • • Amostra de cateter (se urgente)
  • • Aspiração suprapúbica (especialista)
  • • Evite o uso de amostras de sacos para cultura.
  • • Processar em até 4 horas

🩺 Informações Clínicas

O conhecimento clínico essencial de que você precisa

⏱️

Avaliação da porta em 10 segundos

Antes de tocar na criança, observe rapidamente quatro coisas:

1

Interação com o meio ambiente

Pergunte a si mesmo:

• A criança está alerta e olhando ao redor?

• Eles acompanham os movimentos ou reconhecem os pais?

• Eles estão brincando ou interagindo?

⚠️ Sinais de alerta: olhar fixo, falta de interação, dificuldade em despertar

2

Atividade e tom

Criança normal:

• Sentado ereto, movimentando os membros

• Tentando alcançar os brinquedos

• Bom tônus ​​muscular

⚠️ Sinais de alerta: moleza, ficar parado, não se mexer muito ao ser pego no colo

3

Trabalho de Respiração

Olhe para:

• Taquipneia

• Recessão subcostal/intercostal

• Dilatação nasal, grunhido

• Movimento de cabeça (em bebês)

⚠️ Qualquer um destes → potencial dificuldade respiratória

4

Cor e Circulação

Olhe para a:

• Cor da pele

• Lábios

• Mãos e pés

⚠️ Sinais de alerta: aparência pálida, manchada, cianótica e acinzentada

💡 Ponto-chave: Essas quatro observações podem ser feitas do outro lado da sala em segundos e fornecem informações imediatas sobre a condição da criança antes de qualquer exame físico.

Abordagem estruturada: ABC + RED BURT

Uma abordagem estruturada e simples em duas etapas para identificar crianças doentes na atenção primária:

1

Verificação ABC da porta (5 segundos)

Antes de examinar a criança, observe rapidamente:

A
Prontidão

Nível de consciência e tom

⚠️ Sonolento, mole, difícil de despertar

B
Respiração

Trabalho respiratório

⚠️ Retração nasal, batimento de asa do nariz, grunhido, taquipneia

C
Cor

perfusão e oxigenação da pele

⚠️ Pálido, manchado, cianótico

2

VERMELHO BURT Confira

Avaliação estruturada abrangendo domínios clínicos essenciais:

R
Receptividade/Comportamento

Brincalhão ou triste? Interessado em brinquedos, no ambiente, no estetoscópio? Crianças apáticas ou desinteressadas são preocupantes.

E
Contato com os olhos

Olhar atento versus olhar vago. Um bom contato visual transmite segurança.

D
Beber

Está bebendo água normalmente? Ficar sem beber por cerca de 8 a 12 horas é preocupante (especialmente em bebês).

B
Respiração

Sinais de dificuldade respiratória, como retração ou batimento de asa do nariz.

U
Produção de urina

Fraldas molhadas/urina? Fraldas secas por cerca de 12 horas ou diminuição acentuada da urina são preocupantes.

R
Erupção

Especialmente em casos de erupções cutâneas que não desaparecem à pressão - verifique com o teste do copo.

T
Temperatura:

Febre ou hipotermia - ambas podem ser preocupantes.

💎 Dicas Clínicas e Regras Essenciais

Regra dos Terços Febris

Para prever futuras convulsões febris em uma criança que já teve uma:

  • 1/3 Não terei mais nenhum caso de doenças febris no futuro.
  • 1/3 Terá mais UMA convulsão febril.
  • 1/3 Terá crises repetidas de doenças futuras.
Evite o viés de disponibilidade

Definição: A tendência de confiar em informações que vêm facilmente à mente ao tomar decisões.

Em Pediatria: Sim, a maioria das crianças com tosse tem infecções virais e se recupera bem. MAS não deixe que isso influencie seu julgamento — você está lá para avaliar como elas estiveram e como estão agora.

As crianças mudam muito rápido!

Ponto crítico: A pediatria é perigosa porque as crianças podem estar bem num momento e piorar rapidamente no seguinte (e vice-versa).

Lembre-se sempre: Forneça orientações claras e explícitas sobre medidas de segurança. Anote as instruções se a informação for complexa.

Estatísticas de carga de trabalho de médicos de clínica geral
  • • As crianças representam cerca de 20% da população do Reino Unido.
  • • A carga de trabalho clínica aumentou 9% (2007-2014) em menos de 5 anos.
  • • Aproximadamente 25% dos pacientes com menos de 18 anos consultam um médico de clínica geral anualmente.
  • • Em média, um clínico geral atende de 400 a 600 crianças a cada 6 meses.
  • • 30% das crianças frequentam o local com regularidade (≥4 visitas/ano)

📋 História e Exame

Princípios chave:

  • • Estabelecer uma boa relação tanto com a criança quanto com os pais.
  • • Comunicação adequada à idade
  • • Observe antes de tocar
  • • Utilize técnicas de distração
  • • Ouça as preocupações dos pais

Dicas para tirar fotos de história:

Perguntas iniciais:
  • • "O que tem te preocupado?"
  • • "Como tem sido [nome da criança]?"
  • • "Conte-me sobre o problema"
Questões de alerta:
  • • "Está com alguma dificuldade para respirar?"
  • • "Qualquer erupção cutânea que não desapareça?"
  • • "Algum ataque de nervos ou alguma mudança repentina de humor?"
  • • "Comendo e bebendo normalmente?"

🚦 Sistema de semáforos NICE

Para febre em crianças menores de 5 anos (NICE NG143 - Atualizado em 2026)

GVERDE - Baixo Risco

  • • Cor normal da pele, lábios e língua
  • • Responde normalmente a sinais sociais
  • • Conteúdo/sorrisos
  • • Permanece acordado ou acorda rapidamente
  • • Choro forte e normal/sem choro
  • • Pele e olhos normais
  • • Membranas mucosas úmidas

Gestão: Cuidados domiciliares com rede de segurança

AÂMBAR - Risco Intermediário

  • • Palidez da pele, lábios ou língua
  • • Não responder normalmente a sinais sociais
  • • Acorda apenas com estimulação prolongada
  • • Diminuição da atividade
  • • Batimento de asa nasal
  • • Taquipneia (>50 respirações/min em crianças de 6 a 12 meses, >40 respirações/min em crianças maiores de 12 meses)
  • • Saturação de oxigênio ≤95% no ar
  • • Crepitações no peito
  • • Taquicardia (>160 batimentos/min em crianças de 6 a 12 meses, >150 batimentos/min em crianças de 12 a 24 meses, >140 batimentos/min em crianças de 2 a 5 anos)
  • • CRT ≥3 segundos
  • • Membranas mucosas secas
  • • Alimentação inadequada em bebês
  • • Diminuição do volume urinário
  • • Rigores
  • • Idade de 3 a 6 meses, temperatura ≥39°C
  • • Febre por ≥5 dias
  • • Inchaço de um membro ou articulação
  • • Sem apoio de peso/sem uso de um membro
  • • Um novo nódulo >2cm

Gestão: Providencie uma rede de segurança ou encaminhe para avaliação pediátrica.

RVERMELHO - Alto Risco

  • • Pele, lábios ou língua pálidos/com manchas/acinzentados/azulados
  • • Ausência de resposta a sinais sociais
  • • Apresenta-se com aparência doente para um profissional de saúde
  • • Não acorda ou, se despertado, não permanece acordado.
  • • Choro fraco, agudo ou contínuo
  • • Grunhindo
  • • Taquipneia (>60 respirações/min)
  • • Retração torácica moderada ou grave
  • • Redução da turgidez da pele
  • • Idade <3 meses, temperatura ≥38°C
  • • Erupção cutânea que não desaparece à pressão
  • • Fontanela abaulada
  • • Rigidez no pescoço
  • • Estado de mal epiléptico
  • • Sinais neurológicos focais
  • • Crises focais
  • • Vômito com bile

Conduta: Encaminhamento urgente a um especialista em pediatria.

🚨 Emergências Pediátricas

Características Clínicas:

  • • Erupção cutânea que não desaparece à pressão (sinal tardio)
  • • Febre e calafrios
  • • Dor de cabeça, fotofobia
  • • Rigidez na nuca (pode estar ausente em bebês)
  • • Alteração da consciência
  • • Vómitos
  • • Irritabilidade, choro agudo
  • • Fontanela abaulada (em bebês)
  • • Mãos e pés frios
  • • Respiração rápida

Gerenciamento de Emergência:

  1. 1. Benzilpenicilina IM/IV imediatamente (Não demore nas investigações)
  2. 2. Ligue para o serviço de ambulâncias 999.
  3. 3. Informar o hospital de destino
  4. 4. Suporte às vias aéreas, respiração e circulação.
  5. 5. Documente o horário de administração do antibiótico.

Dosagens de benzilpenicilina:

IdadeDoseRota
<1 mês300mgIM/IV
1-11 meses600mgIM/IV
anos 1-91.2gIM/IV
≥10 anos1.2gIM/IV

Reconhecimento:

  • • Início súbito dos sintomas
  • • Vias aéreas: inchaço da garganta e da língua
  • • Respiração: chiado, estridor, cianose
  • • Circulação: taquicardia, hipotensão, colapso
  • • Deficiência: confusão, agitação
  • • Exposição: urticária, angioedema

Gerenciamento de Emergência:

  1. 1. Remova o gatilho, se possível.
  2. 2. Ligue para pedir ajuda (999)
  3. 3. Adrenalina IM (coxa anterolateral)
  4. 4. Oxigênio de alto fluxo
  5. 5. Administrar um bolus de fluidos intravenosos em caso de hipotensão.
  6. 6. Considere administrar uma segunda dose de adrenalina após 5 minutos.

Doses de adrenalina (1:1000):

IdadeDoseVolume (1:1000)
<6 mesesMicrogramas 1500.15ml
6 meses-6 anosMicrogramas 1500.15ml
anos 6-12Microgramas 3000.3ml
> 12 anosMicrogramas 5000.5ml

Definição de Estado Epiléptico:

Crise convulsiva com duração superior a 5 minutos OU crises convulsivas recorrentes sem recuperação completa entre os episódios.

Gerenciamento de Emergência:

  1. 1. Garantir a segurança, proteger as vias aéreas
  2. 2. Oxigênio de alto fluxo
  3. 3. Verificar a glicemia
  4. 4. Se a convulsão durar mais de 5 minutos: Midazolam bucal ou Diazepam retal
  5. 5. Ligue para o 999 se for a primeira convulsão, se for prolongada ou se não houver melhora.
  6. 6. Considere o acesso intravenoso e outros anticonvulsivantes.

Doses de anticonvulsivantes:

DrogaIdade/PesoDoseRota
Midazolamanos 1-55mgBucal
anos 5-107.5mgBucal
anos 10-1810mgBucal
Todas as idades0.5 mg/kg (máximo 20 mg)IV
diazepam1 mês a 2 anos5mgRetal
anos 2-125-10mgRetal
anos 12-1810-20mgRetal

Características da asma grave:

  • • Não consegue completar frases
  • • Pulso >125/min (>5 anos) ou >140/min (2-5 anos)
  • • Respirações >30/min (>5 anos) ou >40/min (2-5 anos)
  • • Utilização de músculos acessórios
  • • Fluxo máximo entre 33% e 50% do valor ideal ou previsto

Asma com risco de vida:

  • • Ausência de ruídos na respiração, cianose, esforço respiratório reduzido
  • • Hipotensão, exaustão, confusão
  • • Fluxo expiratório máximo <33% do melhor ou do previsto
  • • SpO2 <92%

Tratamento de emergencia:

  1. 1. Oxigênio de alto fluxo
  2. 2. Nebulizador de salbutamol 2.5-5 mg
  3. 3. Prednisolona 1-2 mg/kg (máx. 40 mg) VO
  4. 4. Em casos graves: nebulização com 250 microgramas de ipratrópio.
  5. 5. Considere a administração intravenosa de salbutamol ou aminofilina.
  6. 6. Peça ajuda a um idoso com antecedência.

🦠 Infecções na Infância

Exantemas Virais Comuns

CondiçãoIncubaçãoDescrição da erupção cutâneaOutros RecursosComplicações
Sarampodias 10-14Maculopapular, começa atrás das orelhas e se espalha para baixo.Manchas de Koplik, tosse, conjuntivite, febrePneumonia, encefalite
rubéoladias 14-21Lesões maculopapulares finas e rosadas, espalhando-se pela face e corpo.Linfadenopatia, febre baixaSíndrome da rubéola congênita
Cataporadias 10-21Vesicular, culturas, diferentes estágiosFebre, mal-estar, coceiraInfecção bacteriana secundária
Quinta doençadias 4-20Bochecha esbofeteada, erupção cutânea rendada nos membros.Febre leve, dor de cabeçaCrise aplásica na anemia falciforme
Roséoladias 5-15Manchas maculopapulares rosadas após a febre ceder.Febre alta por 3 a 4 dias, seguida de erupção cutânea.Convulsões febris
Doença mão-pé-bocadias 3-7Vesículas nas palmas das mãos, solas dos pés e boca.Febre, dor de garganta, mal-estarDesidratação, meningite viral

Infecções Específicas

Doença de Kawasaki:

Critérios (febre ≥5 dias mais ≥4 dos seguintes:

  • • Injeção conjuntival bilateral
  • • Alterações na mucosa oral
  • • Alterações nas extremidades periféricas
  • • Erupção polimorfa
  • • Linfadenopatia cervical

⚠️ Risco de aneurismas da artéria coronária

Púrpura de Henoch-Schönlein:
  • • Erupção purpúrica palpável (nádegas, pernas)
  • • Artrite (joelhos, tornozelos)
  • • Dor abdominal, sangramento gastrointestinal
  • • Nefrite (hematúria, proteinúria)

Monitore a pressão arterial e a urina por 6 meses.

🩸 Envolvimento renal:

  • • Aproximadamente 30-50% Crianças com HSP desenvolvem algum grau de comprometimento renal.
  • • A hematúria microscópica ± proteinúria é a manifestação mais comum.
  • • A maioria (>95%) se resolve sem sequelas a longo prazo.
  • • No entanto, cerca de 1% pode desenvolver nefrite grave, que pode evoluir para doença renal crônica.

🩺 Por que verificar a pressão arterial?

  • • O envolvimento renal na HSP pode causar hipertensão como sinal de nefrite ou síndrome nefrótica
  • • A hipertensão indica inflamação renal significativa que requer avaliação urgente.
  • • A pressão arterial elevada pode ser o primeiro sinal de que a doença renal é mais grave do que aparentava inicialmente.
  • • O exame de urina com fita reagente para sangue e proteína deve ser realizado na apresentação inicial e a cada 2 a 4 semanas durante 6 meses.
Escarlatina:
  • • Erupção cutânea semelhante a lixa
  • • Língua de morango
  • • Febre, dor de garganta
  • • Palidez perioral

Tratamento: Penicilina V por 10 dias

🫁 Condições agudas comuns

Diagnóstico (BTS/NICE/SIGN NG245 2024):

  • • Chiado recorrente, tosse, falta de ar
  • • Os sintomas pioram à noite/de madrugada
  • • Desencadeado por exercícios físicos, alérgenos e infecções virais
  • • Histórico familiar de asma/atopia
  • • Resposta aos broncodilatadores

Gestão (Atualizado em 2024):

  1. 1. Passo 1: SABA conforme necessário
  2. 2. Passo 2: ICS em baixa dose ou MART (Terapia de Manutenção e Alívio)
  3. 3. Passo 3: MART ou ICS + LABA
  4. 4. Passo 4: ICS em dose média + LABA ± LTRA
  5. 5. Passo 5: Altas doses de ICS + terapias adicionais

Novidade para 2024: Introdução antecipada da terapia MART.

Apresentação:

  • • Poliúria, polidipsia, polifagia
  • • Perda de peso, fadiga
  • • Infecções recorrentes
  • • Cetoacidose diabética (CAD): vômitos, desidratação, respiração de Kussmaul

Diagnóstico:

  • • Glicemia aleatória >11.1 mmol/L + sintomas
  • • Glicemia em jejum >7.0 mmol/L
  • • HbA1c >48 mmol/mol (6.5%)
  • • Cetonas no sangue/urina

Gestão de emergências em casos de cetoacidose diabética (CAD):

  1. 1. Ressuscitação com fluidos intravenosos (solução salina a 0.9%)
  2. 2. Infusão de insulina (0.1 unidades/kg/hora)
  3. 3. Reposição de potássio
  4. 4. Monitorar glicose, cetonas e pH.
  5. 5. Encaminhamento pediátrico urgente

Tabela de comparação:

CaracterísticaBronquioliteGarupa
Idade<2 anos (pico de 2 a 6 meses)6 meses - 6 anos (pico entre 1 e 2 anos)
CausarVSR (mais comum), parainfluenzaParainfluenza, VSR, rinovírus
LocalPequenas vias aéreas (bronquíolos)Laringe, traqueia, brônquios
TossePersistente, secoLatidor, semelhante a uma foca
EstridorAusenteEstridor inspiratório
Chiadosibilo expiratório finoGeralmente ausente
vozNormalrouco
FebreDe baixa qualidade ou ausenteFebre baixa
Pior à noiteNenhum padrão específicoSim, os sintomas pioram à noite.

Manejo da Bronquiolite (NICE NG9 - Atualizado em 2021):

  • • Cuidados paliativos (mais importantes)
  • • Garantir alimentação e hidratação adequadas
  • • Oxigênio se SpO2 <92% (limiar atualizado)
  • • Não usar antibióticos, exceto em casos de infecção bacteriana secundária.
  • • Não são utilizados broncodilatadores ou esteroides rotineiramente.

Gestão da Crupe:

  • • Leve: cuidados de suporte, inalação de vapor
  • • Moderado/Grave: dexametasona oral 0.15 mg/kg
  • • Grave: adrenalina nebulizada + dexametasona
  • • Hospitalizar em caso de estridor em repouso ou insuficiência respiratória grave.

Fatos-chave:

  • • Idade entre 6 meses e 5 anos, temperatura >38°C
  • • Geralmente generalizado, <15 minutos
  • • Simples vs. complexo
  • • Risco de recorrência de 30%
  • • A educação dos pais é importante

Simples vs. Complexo:

CaracterísticasimplesComplexo
Duração<15 minutos> 15 minutos
FormatoGeneralizadoFocal ou múltiplo
Frequência (24h)Episódio únicoRecorre em 24 horas
déficit pós-ictalNãoPode estar presente

Regra dos Terços Febris:

  • . 1/3 Não terá mais convulsões febris.
  • . 1/3 Terá mais UMA convulsão febril.
  • . 1/3 Terá episódios repetidos de doenças febris no futuro.

Gestão e Consultoria:

  • • Tranquilizar os pais - geralmente autolimitado
  • • Primeira convulsão febril → internar para investigação a fim de excluir meningite
  • • Convulsão febril complexa → encaminhar sempre para o médico
  • • Paracetamol/ibuprofeno para alívio da febre, NÃO comprovado para prevenir recorrência.
  • • Instrua os pais: posição de recuperação, não contenha a criança, cronometre a duração da convulsão, ligue para o 192 (ou 999, dependendo da região) se a convulsão durar mais de 5 minutos.
  • • Risco de epilepsia a longo prazo ligeiramente aumentado (cerca de 2-5% vs. 1% na faixa etária basal)

🤱 Dor abdominal em crianças

🚨 Sinais de alerta - Encaminhamento urgente:

  • • Vômito com bile
  • • Sinais de obstrução intestinal
  • • Desidratação grave
  • • Sinais de peritonite
  • • Massa palpável
  • • Dor/inchaço testicular
  • • Erupção cutânea que não desaparece à pressão

Causas específicas da idade

Bebês (0-2 anos):
  • • Cólica
  • • Intussuscepção
  • • Estenose pilórica
  • • Hérnia encarcerada
  • • Torção testicular
  • • UTI
Pré-escola (2-5 anos):
  • • Gastroenterite viral
  • • Constipação
  • • UTI
  • • Apendicite (rara em menores de 3 anos)
  • • Intussuscepção
  • • Pneumonia
Idade escolar (5+ anos):
  • • Apendicite
  • • Gastroenterite
  • • Constipação
  • • UTI
  • • Dor abdominal funcional
  • • Adenite mesentérica

Intussuscepção

Características Clínicas:
  • • Pico de idade: 6 a 18 meses
  • • Dor abdominal intensa em cólica
  • • A criança encolhe os joelhos contra o peito
  • • Vômito (pode ficar com vestígios de bile)
  • • Fezes com odor de geleia de groselha (sinal tardio)
  • • Massa palpável em forma de salsicha (QSD)
  • • Letargia entre episódios

⚠️ Emergência - requer encaminhamento cirúrgico urgente

🏥 Doenças Crônicas

Condições crônicas que exigem gestão contínua.

Fibrose cística:

  • • Infecções respiratórias recorrentes
  • • Falta de sucesso
  • • Esteatorreia
  • • Pólipos nasais
  • • Histórico familiar

Diagnóstico: Teste do suor, teste genético

Paralisia cerebral:

  • • Deficiência motora
  • • Tônus/postura anormal
  • • Atraso no desenvolvimento
  • • Dificuldades de alimentação
  • • Convulsões (30%)

Gestão: abordagem multidisciplinar

Artrite idiopática juvenil:

  • • Inchaço articular > 6 semanas
  • • Rigidez matinal
  • • Características sistêmicas
  • • Problemas de crescimento
  • • Complicações oculares

Encaminhamento urgente para reumatologia

🧬 Doenças Congênitas e Genéticas

Condições presentes desde o nascimento ou com base genética.

Síndrome de Down:

  • • Características faciais típicas
  • • Deficiência intelectual
  • • Defeitos cardíacos (40%)
  • • Anormalidades gastrointestinais
  • • Risco aumentado de infecção
  • • Problemas de tireoide

Cardiopatias Congênitas:

  • • Cianose (central vs periférica)
  • • Sopro cardíaco
  • • Dificuldades de alimentação
  • • Fraco ganho de peso
  • • Falta de ar
  • • Baladas

Defeitos do tubo neural:

  • • Espinha bífida
  • • Anencefalia
  • • Encefalocele
  • • Associado à deficiência de folato
  • • Prevenção: suplementação com ácido fólico

👶 Cuidados Neonatais

Cuidados com recém-nascidos nos primeiros 28 dias de vida

Recém-nascido normal:

  • • Peso ao nascer: 2.5 a 4.5 kg
  • • Comprimento 48-52 cm
  • • Circunferência da cabeça: 33-37 cm
  • • Frequência cardíaca de 120 a 160 bpm
  • • Frequência respiratória de 30 a 60 respirações por minuto
  • • Temperatura 36.5-37.5°C

Icterícia Neonatal:

  • • Fisiológico: dia 2-14
  • • Patológico: <24 horas ou >14 dias
  • • Causas: hemólise, infecção, metabólicas
  • • Tratamento: fototerapia, exsanguinotransfusão
  • • Monitorar os níveis de bilirrubina

🩺 Manejo clínico geral: Icterícia >14 dias (icterícia prolongada)

Icterícia prolongada = >14 dias em recém-nascidos a termo, >21 dias em prematuros. Sempre requer investigação.

  • . Investigações de primeira linha: Bilirrubina diferencial (total + conjugada), TSF (terapias tireoidianas), hemograma completo + esfregaço sanguíneo, função hepática, teste de G6PD (se houver risco), urocultura (amostra de urina ou coleta de jato médio).
  • . ⚠️ Sinal de alerta - fezes pálidas/esbranquiçadas + urina escura: Suspeita de atresia biliar → encaminhamento pediátrico urgente no mesmo dia. Emergência cirúrgica se não tratada antes dos 60 dias de idade.
  • . Hiperbilirrubinemia conjugada (Bilirrubina conjugada >20% do total ou >25 micromol/L): Sempre patológico → encaminhamento pediátrico urgente
  • . Hiperbilirrubinemia não conjugada: É mais provável que seja icterícia fisiológica ou do leite materno, mas ainda requer investigação para excluir hipotireoidismo e hemólise.
  • . Icterícia do leite materno: NÃO recomende a interrupção da amamentação, a menos que seja orientada por um especialista.
  • . Hipotireoidismo congênito: Deveria ter sido identificado na amostra de sangue do recém-nascido - verifique novamente se não foi feito ou se o resultado não foi recebido.
  • . Verifique também: O ganho de peso está adequado? A alimentação está boa? Qual a cor da urina e das fezes (peça aos pais para fotografarem as fraldas)?

Sepse Neonatal:

  • • Alimentação deficiente, letargia
  • • Instabilidade de temperatura
  • • Dificuldade respiratória
  • • Apneia, bradicardia
  • • Hipoglicemia
  • • Tratamento antibiótico urgente

🫘 Problemas gastrointestinais

Doenças gastrointestinais em crianças

Gripe estomacal:

  • • Diarreia ± vômito
  • • Avaliar a desidratação
  • • Terapia de reidratação oral
  • • Continue a alimentação normal
  • • Evite medicamentos antidiarreicos
  • • Os probióticos podem ajudar

Prisão de ventre:

  • • <3 evacuações por semana
  • • Fezes duras e dolorosas
  • • Conselhos dietéticos
  • • Laxantes: movicol, lactulose
  • • Problemas com o treino para usar o banheiro
  • • Excluir causas orgânicas

💊 Dosagens de Laxantes

Movicol Pediátrico Simples (Macrogol 3350):

  • . Não recomendado para menores de 2 anos.
  • . Desimpacto:
    • – 2–5 anos: até 4 sachês/dia, aumentar 2 sachês/dia a cada 2 dias (máximo de 4), durante um máximo de 7 dias.
    • – 5–12 anos: até 8 sachês/dia (máximo), durante no máximo 7 dias
    • – A partir de 12 anos: Sachês de Movicol para adultos, até 8 por dia, durante no máximo 3 dias.
  • . Manutenção:
    • – 2–5 anos: ½ a 1 sachê por dia, ajustando a dose para produzir 1 a 2 evacuações amolecidas por dia.
    • – 5–12 anos: 1–2 sachês por dia, ajustados.
    • – A partir de 12 anos: 2 a 4 sachês de Movicol adulto por dia

Lactulose:

  • . Menores de 1 ano: 2.5 ml duas vezes ao dia
  • . 1-5 anos: 2.5 a 10 ml duas vezes ao dia
  • . 5-10 anos: 10 ml duas vezes ao dia
  • . 10+ anos: 15 ml duas vezes ao dia
  • • Ajuste a dose para produzir 1 a 2 evacuações amolecidas por dia.
  • • Leva de 2 a 3 dias para fazer efeito; avise os pais sobre a possibilidade de inchaço inicialmente.

🦴 Problemas musculoesqueléticos

Distúrbios musculoesqueléticos em crianças e adolescentes

Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ):

  • • Fatores de risco: apresentação pélvica, histórico familiar
  • • Testes de Barlow e Ortolani
  • • Dobras cutâneas assimétricas
  • • Abdução limitada do quadril
  • • O tratamento precoce é crucial
  • • Rastreio por ultrassom

Doença de Perthes (Legg-Calvé-Perthes):

  • • Necrose avascular da cabeça femoral
  • • Idade de 4 a 10 anos; meninos >> meninas (4:1)
  • • Início insidioso de dor no quadril, dor na virilha ou dor referida no joelho
  • • Claudicação indolor, rotação interna e abdução do quadril limitadas
  • • Radiografia: achatamento, esclerose ou fragmentação da cabeça femoral (pode ser normal no início — a ressonância magnética é mais sensível)
  • • Encaminhe para ortopedia; o tratamento varia de fisioterapia a cirurgia, dependendo da idade e da gravidade.
  • • O prognóstico é melhor em crianças mais novas (com menos de 6 anos).

Doença de Osgood-Schlatter:

  • • Apofisite de tração da tuberosidade tibial
  • • Idade entre 10 e 15 anos; adolescentes ativos, especialmente durante os estirões de crescimento.
  • • Os meninos são mais frequentemente afetados
  • • Dor, sensibilidade e inchaço diretamente sobre a tuberosidade tibial (logo abaixo do joelho)
  • • Piora com atividades (correr, pular, ajoelhar), aliviada pelo repouso
  • • A radiografia pode mostrar fragmentação da tuberosidade tibial (nem sempre é necessário).
  • • Tratamento: repouso relativo, analgésicos (AINEs), fisioterapia, gelo
  • • Geralmente autolimitado; resolve-se quando as placas de crescimento se fecham.
  • • Raramente necessita de encaminhamento cirúrgico

SUFE (Epífise Femoral Superior Deslizada):

  • • Deslocamento da cabeça femoral através da placa de crescimento (fise proximal)
  • • Idade entre 10 e 16 anos; homens com sobrepeso são mais comumente afetados.
  • • Apresenta dor no quadril, virilha ou dor referida no joelho — Sempre examine o quadril em uma criança com dor no joelho.
  • • Mancando; quadril em rotação externa
  • • Rotação interna do quadril restrita e dolorosa
  • • Radiografia: A incidência AP + perfil em posição de rã mostra deslocamento posterior/medial da epífise (aparência de "sorvete caindo da casquinha")
  • . ⚠️ NÃO suporte peso — risco de necrose avascular
  • . Encaminhamento ortopédico urgente — fixação cirúrgica (fixação in situ) necessária
  • • Examinar o quadril contralateral (bilateral em aproximadamente 25% dos casos)

🧠 Condições Neurológicas

Desordens neurológicas em crianças

Dores de cabeça em crianças:

  • • Primária: tensão, enxaqueca
  • • Secundário: aumento da PIC, infecção
  • • Sinais de alerta: vômitos de madrugada
  • • Sinais neurológicos
  • • Mudança de personalidade
  • • Considere a possibilidade de realizar exames de imagem se houver preocupação.

🚩 Sinais de alerta para cefaleias (encaminhamento urgente):

  • • Acordar durante o sono ou dor de cabeça matinal (aumento da PIC)
  • • Piora progressiva ao longo de semanas
  • • Vômito associado (especialmente sem náusea)
  • • Dor de cabeça agravada por tosse, espirros e flexão do corpo
  • • Novos sintomas ou sinais neurológicos (diplopia, ataxia, papiledema)
  • • Mudança de personalidade ou comportamento
  • • Criança muito pequena ou com menos de 3 anos (cefaleia primária é rara nessa idade)
  • • Trovoada (início súbito e grave) → HSA até prova em contrário

Enxaqueca em crianças:

  • • Frequentemente bilateral (nem sempre unilateral como em adultos)
  • • Qualidade pulsátil, intensidade moderada a grave
  • • Náuseas/vômitos associados, fotofobia, fonofobia
  • • Duração geralmente menor que em adultos (2–48 horas)
  • • Tratamento agudo: ibuprofeno ou paracetamol, repouso em quarto escuro e silencioso.
  • • Triptanos com autorização para uso a partir dos 12 anos (sumatriptano nasal a partir dos 12 anos)
  • • Encaminhe para avaliação se os sintomas forem frequentes (>4 vezes ao mês), não responderem ao tratamento ou apresentarem características atípicas.

Epilepsia em crianças:

  • • Crises epilépticas recorrentes e não provocadas
  • • Tipos: focal, generalizada, de ausência, tônico-clônica
  • • Eletroencefalograma (EEG) e ressonância magnética (RM) do cérebro como parte da avaliação diagnóstica.
  • • Encaminhamento para neurologia pediátrica
  • • Síndromes comuns: epilepsia de ausência na infância, epilepsia mioclônica juvenil, epilepsia rolandica
  • • Aconselhamento sobre SUDEP para famílias
  • • Implicações para a escola e o estilo de vida (natação, ciclismo, etc.)

Ataques de apneia:

  • • Idade: 6 meses a 6 anos
  • • Desencadeado por dor, frustração, medo
  • • Tipo cianótico: a criança chora, prende a respiração, fica azulada e pode perder a consciência brevemente.
  • • Tipo pálido: a criança fica pálida e perde o tônus ​​muscular após um traumatismo craniano leve.
  • • Autolimitada, recupera-se rapidamente, não epiléptica
  • • Tranquilize os pais; verifique a deficiência de ferro (o tratamento com ferro reduz as crises de cianose)
  • • Não necessita de tratamento específico; resolve-se espontaneamente

🧴 Dermatologia Pediátrica

Problemas de pele comuns em crianças

Eczema (dermatite atópica):

  • • Pele seca, com coceira e inflamada
  • • Distribuição flexural
  • • Associado à asma e alergias
  • • Emolientes (principal)
  • • Corticosteroides tópicos para crises
  • • Evite os gatilhos

Impetigo:

  • • Infecção bacteriana superficial
  • • Lesões com crosta dourada
  • • Altamente contagioso
  • • Ácido fusídico tópico
  • • Antibióticos orais em casos graves.
  • • Suspensão escolar até a conclusão do tratamento

Molusco Contagioso:

  • • Pápulas pequenas e peroladas
  • • Umbilicação central
  • • Infecção viral (poxvírus)
  • • Autolimitado (6-18 meses)
  • • Geralmente não é necessário tratamento
  • • Evite coçar

Dermatomiosite:

  • • Doença inflamatória autoimune rara que afeta a pele e os músculos
  • • Pico de incidência entre 5 e 10 anos; meninas ligeiramente mais afetadas.
  • Características da pele:
    • – Erupção heliotrópica: descoloração roxa/violácea das pálpebras superiores ± edema periorbital
    • – Pápulas de Gottron: pápulas elevadas e eritematosas sobre as articulações dos dedos, cotovelos e joelhos
    • – Sinal em V (peito) e sinal do xale (parte superior das costas/ombros)
    • – Alterações capilares na prega ungueal (capilares dilatados e irregulares)
  • Características musculares: Fraqueza muscular proximal (dificuldade para subir escadas, levantar-se de uma cadeira, pentear o cabelo), sensibilidade muscular.
  • Outras características: Calcinose (depósitos de cálcio na pele/músculo — comum na forma juvenil), disfagia, disfonia
  • Investigações: CK, LDH e aldolase elevados; ANA frequentemente positivo; ressonância magnética muscular; eletroneuromiografia; biópsia muscular; capilaroscopia periungueal.
  • ⚠️ Sinal vermelho: Ao contrário da dermatomiosite em adultos, a forma juvenil NÃO está associada a malignidade.
  • Gestão: Encaminhamento urgente para reumatologia pediátrica; corticosteroides em altas doses ± metotrexato/IVIG; proteção solar; fisioterapia.

🧠 Dificuldades de Aprendizagem

Avaliação e apoio para dificuldades de aprendizagem

TDAH:

  • • Desatenção, hiperatividade, impulsividade
  • • Sintomas em múltiplos contextos
  • • Impacto no funcionamento
  • • Intervenções comportamentais em primeiro lugar
  • • Medicação em casos graves
  • • O apoio escolar é importante

Transtorno do Espectro Autista:

  • • Dificuldades de comunicação social
  • • Comportamentos restritos e repetitivos
  • • Sensibilidades sensoriais
  • • Intervenção precoce é crucial
  • • Avaliação multidisciplinar
  • • Apoio familiar

Dislexia:

  • • Dificuldade com leitura e ortografia
  • • Inteligência normal
  • • Problemas de processamento fonológico
  • • Avaliação educacional
  • • Métodos de ensino especializados
  • • A identificação precoce é importante

😴 Sono em crianças

Padrões de sono e distúrbios do sono em crianças

Requisitos normais de sono:

IdadeTotal de sono (horas)Sono noturnoSonecas diurnas
Recém-nascido (0-3 meses)14-17 horas8-9 horasVários cochilos curtos
Infantil (4-11 meses)12-15 horas10-12 horas2-3 sonecas
Criança (1-2 anos)11-14 horas10-12 horas1-2 sonecas
Pré-escola (3-5 anos)10-13 horas10-13 horas0-1 sonecas
Idade escolar (6-13 anos)9-11 horas9-11 horasnenhum

Problemas comuns de sono

Regressão do sono:
  • • Comum aos 4, 8-10 e 18 meses
  • • Marcos do desenvolvimento
  • • Geralmente temporário (2 a 6 semanas)
  • • Manter uma rotina consistente
  • • Evite criar novas associações com o sono
Pesadelos:
  • • Normalmente entre 3 e 8 anos de idade
  • • Ocorrem durante o sono profundo (primeiro terço da noite)
  • • A criança parece acordada, mas confusa.
  • • Nenhuma lembrança do evento
  • • Geralmente fica pequeno para o crescimento
  • • Garanta a segurança, não acorde a criança.
Apneia do sono:
  • • Ronco, pausas na respiração
  • • Sono agitado
  • • Sonolência diurna
  • • Problemas comportamentais
  • • Frequentemente devido ao aumento das amígdalas/adenoides
  • • Pode ser necessário encaminhamento para o otorrinolaringologista.

Conselhos sobre higiene do sono

  • • Rotina consistente na hora de dormir
  • • Horários regulares de sono e vigília
  • • Ambiente confortável para dormir (fresco, escuro e silencioso)
  • • Evite telas 1 hora antes de dormir
  • • Proibido o consumo de cafeína por crianças
  • • Atividade física regular (mas não perto da hora de dormir)
  • • Evite refeições pesadas antes de dormir
  • • Use o quarto apenas para dormir

💊 Abordagens farmacológicas para o sono

🌙 Melatonina — Quando prescrever:

Indicações:

  • • Insônia no autismo, TDAH e transtornos do neurodesenvolvimento
  • • Atraso do ritmo circadiano
  • • Por vezes, ocorre insônia grave de curta duração após falha das estratégias comportamentais.

Idade: Geralmente >2–3 anos

Doses:

IdadeDose inicialMax
2–5 anos1 mg à noite3 mg
6–12 anos1–2 mg à noite5 mg
≥12 anos2–3 mg à noite10 mg
  • . Slenyto (melatonina de liberação prolongada): licenciada para crianças de 2 a 18 anos com TEA ou síndrome de Smith-Magenis
  • . Circadino (Liberação modificada): licenciado para adultos; usado fora da bula em crianças.
  • . Iniciação típica: Por um especialista (pediatria, saúde mental infantil e adolescente, neurologia pediátrica) ou por meio de um acordo de cuidados compartilhados.
  • • Perfil de efeitos colaterais baixo; pode causar sonolência matinal em doses mais elevadas.
  • . Não recomendado como tratamento de primeira linha para insônia típica na infância sem uma condição neurodesenvolvimental subjacente
⚠️ Prometazina (Phenergan) — Usar com cautela:

Geralmente usado a curto prazo para distúrbios ocasionais do sono.

Idade: somente acima de 2 anos (aviso da MHRA para menores de 2 anos)

Doses:

IdadeDose
2–5 anos5–15 mg à noite
6–12 anos10–20 mg à noite
>12 anos20–25 mg à noite

Observações:

  • • Sedativo anti-histamínico
  • • Cursos de curta duração (apenas algumas noites)
  • . Contraindicado em menores de 2 anos. — risco de depressão respiratória e morte súbita (aviso da MHRA)
  • • Não possui licença para uso como hipnótico em crianças.
  • . Risco de excitação paradoxal (especialmente em crianças pequenas) — pode piorar o sono
  • • Evitar em crianças com epilepsia, doença hepática ou que estejam tomando outros depressores do SNC.
🌿 Piriton (Clorfenamina) — Usado ocasionalmente:

Às vezes é usado, mas é menos sedativo que a prometazina.

Doses:

IdadeDose
1–5 anos1 mg à noite
6–12 anos2 mg à noite
>12 anos4 mg à noite

Máximo: Geralmente uma dose única noturna.

Observações:

  • • As evidências sobre o sono são fracas
  • • Principalmente anti-histamínico
  • . Não indicado para problemas de sono em isolamento. — A sedação é um efeito colateral, não uma indicação aprovada.
  • . Uso apropriado: Quando o sono é interrompido por alergia, urticária ou coceira de eczema
  • • Não recomendado para crianças menores de 1 ano
  • . excitação paradoxal pode ocorrer, particularmente em crianças pequenas.
  • • Não melhora a arquitetura do sono; a tolerância à sedação desenvolve-se rapidamente.
💜 Hidroxizina — Uso especializado:

dose:

  • • 0.5 mg/kg à noite

Observações:

  • • Ocasionalmente utilizado em clínicas de neurodesenvolvimento pediátrico
  • • Anti-histamínico com propriedades ansiolíticas e sedativas
  • • Pode ser útil em crianças com dificuldades de sono relacionadas à ansiedade, juntamente com condições de neurodesenvolvimento.
  • • Não é um tratamento de primeira linha — geralmente é iniciado por um especialista.
  • . Cuidado: Risco de prolongamento do intervalo QT; evitar em crianças com problemas cardíacos ou que estejam tomando outros medicamentos que prolongam o intervalo QT.

💧 Urina — Infecções do trato urinário e enurese noturna

👧 Infecção do trato urinário em meninas:
  • . Muito mais comum do que nos meninos devido à uretra mais curta e à proximidade com a flora perianal.
  • • Infecção ascendente com flora intestinal — E. coli é responsável por cerca de 80% dos casos.
  • • Fatores de risco: prisão de ventre, disfunção miccional, banhos de espuma, técnica de limpeza após urinar
  • • Meninas mais velhas: disúria, frequência urinária, urgência miccional, dor suprapúbica
  • • Menores de 3 anos: podem apresentar sintomas inespecíficos (febre, vômito, dificuldade para se alimentar, irritabilidade)
  • . Infecção única do trato urinário em menina com mais de 3 anos e ultrassonografia normal: Tratar e observar; investigação adicional apenas em caso de recorrência.
  • . Qualquer infecção urinária em meninas com menos de 3 anos: Encaminhar para ultrassonografia renal e da bexiga.
👦 Infecção do trato urinário em meninos:
  • • Menos comum do que em meninas (especialmente após a infância), com maior probabilidade de indicar uma anomalia estrutural subjacente.
  • . Qualquer infecção do trato urinário em um menino justifica investigação.
  • • Considerar: refluxo vesicoureteral (RVU), válvulas da uretra posterior, rim duplo, fimose
  • • Menores de 3 meses: internação urgente no mesmo dia, independentemente do quadro clínico.
  • • Menores de 1 ano: encaminhar para ultrassonografia renal ± uretrocistografia miccional.
  • • Organismos comuns: E. coli; organismos incomuns ou recorrentes sugerem anomalia estrutural
  • • A circuncisão reduz significativamente o risco de infecção do trato urinário em meninos.

Coleta de urina (antes de iniciar o tratamento com antibióticos):

  • . Coleta de urina do jato médio (preferencialmente) — mais confiável para a cultura
  • • Compressas coletoras de urina — aceitáveis ​​caso a coleta limpa não seja possível; processar imediatamente.
  • . Evite o uso de sacos plásticos para cultura de amostras. — taxa de falsos positivos muito alta devido à contaminação
  • • Amostra por cateter: se for urgente e a criança não conseguir fornecer uma coleta limpa.
  • • Enviar para microscopia, cultura e antibiograma (MC&A)
  • • Teste de fita reagente: nitritos + leucócitos = provável infecção do trato urinário; nitritos isolados ou leucócitos isolados = resultado duvidoso

Tratamento com antibióticos (siga as orientações locais):

  • . Opções orais de primeira linha: Trimetoprima ou nitrofurantoína (verificar padrões de sensibilidade local e contraindicações)
  • • Nitrofurantoína: evitar se a TFGe estiver baixa ou houver suspeita de infecção sistêmica (não é eficaz para pielonefrite)
  • . Infecção urinária baixa / cistite: 3 a 7 dias de antibióticos orais
  • . ITU superior / pielonefrite (febre, dor lombar, mal-estar sistêmico): 7 a 10 dias; co-amoxiclav ou cefalexina por via oral, ou intravenosa se o paciente estiver indisposto.
  • • Menores de 3 meses: Antibióticos intravenosos + internação no mesmo dia
  • • Analise o resultado do MC&S e faça os ajustes necessários.

Diretrizes do NICE sobre exames de imagem após a primeira infecção do trato urinário:

CriançaUSS Rins/BexigaVarredura DMSAMCUG
Menos de 6 mesesSim (dentro de 6 semanas)4 a 6 meses após a infecção do trato urinário, se o ultrassom apresentar anormalidades.Se os resultados do ultrassom ou do DMSA forem anormais,
6 meses – 3 anos, responde bemSem rotina USSNãoNão
6 meses a 3 anos, atípico ou recorrenteSim (durante uma doença aguda)SimConsiderar
Ao longo de 3 anos, responde bem.Sem rotina USSNãoNão
Ao longo de 3 anos, atípico ou recorrenteSim (dentro de 6 semanas)Sim (se recorrente)Não (a menos que USS/DMSA anormal)

Infecção urinária atípica: organismo incomum, resposta insatisfatória em 48 horas, septicemia, creatinina elevada, massa abdominal ou na bexiga.

Definição de infecção urinária recorrente:

  • • ≥2 episódios de infecção do trato urinário superior (pielonefrite)
  • • ≥3 episódios de infecção do trato urinário inferior (cistite)
  • • 1 infecção do trato urinário superior + ≥1 infecção do trato urinário inferior

Investigação:

  • . Ultrassonografia renal: Avaliar o tamanho dos rins, cicatrizes, anormalidades estruturais e resíduo vesical.
  • . Análise por DMSA (ácido dimercaptosuccínico): Padrão ouro para detecção de cicatrizes renais; realizado 4 a 6 meses após infecção do trato urinário aguda.
  • . MCUG (cistouretrografia miccional): Detecta refluxo vesicoureteral (RVU) e anormalidades da bexiga/uretra — considere se a ultrassonografia ou a cintilografia renal com DMSA apresentarem resultados anormais.
  • • Cintilografia renal com MAG3: avaliar a função renal diferencial e a drenagem em caso de suspeita de obstrução.
  • • Verificar pressão arterial, proteína na urina e função renal (eGFR/creatinina)

Tratamento da infecção urinária recorrente:

  • • Trate o episódio agudo conforme descrito acima.
  • . Profilaxia antibiótica: Considere o uso de trimetoprima 2 mg/kg uma vez ao dia à noite (ou nitrofurantoína) em crianças com infecções do trato urinário recorrentes, especialmente se houver refluxo vesicoureteral.
  • • Abordar os fatores de risco modificáveis: constipação, disfunção miccional, ingestão de líquidos, higiene.
  • • Reeducação vesical em caso de disfunção miccional
  • . Consulte um nefrologista ou urologista pediátrico. Se houver: anormalidade estrutural, cicatrizes renais significativas, resposta inadequada ao tratamento ou refluxo vesicoureteral (RVU) de alto grau.
  • • Acompanhamento a longo prazo: monitorar a pressão arterial e a função renal anualmente em crianças com cicatrizes renais.

Contexto e prevalência:

  • . Enurese noturna primária: A criança nunca conseguiu manter a pele seca durante a noite de forma consistente.
  • . Enurese secundária (de início): A criança ficou seca por mais de 6 meses e depois teve uma recaída — considerar estresse, infecção do trato urinário, diabetes mellitus/insípido, constipação, proteção excessiva.
  • • Prevalência: aproximadamente 15% aos 5 anos, ~5% aos 10 anos, ~1% aos 15 anos; resolução espontânea comum.
  • • É normal não atingir a secura noturna consistente até os 5 anos de idade — não investigue ou trate antes dessa idade.
  • • Forte componente genético: se ambos os pais tiveram enurese, a criança tem 77% de chance de também desenvolver a doença.

Avaliação — Excluir causas secundárias:

  • . Tira reagente de urina: Excluir ITU, glicosúria (diabetes mellitus)
  • . Prisão de ventre: Uma causa muito comum é a compressão da bexiga pelo reto cheio.
  • • Pergunte sobre sintomas diurnos (frequência, urgência, incontinência urinária diurna — o que sugere bexiga hiperativa)
  • • Padrão de ingestão de líquidos e tipo de bebidas
  • • Qualidade do sono (ronco, apneia do sono)
  • • Histórico familiar; fatores de estresse emocional; situação escolar/familiar
  • • Diário miccional por 2 a 4 semanas (útil para avaliar volumes e frequência)

Gestão — Abordagem passo a passo:

  1. Etapa 1 — Medidas Gerais (todas as crianças):
    • • Ingestão adequada de líquidos durante o dia (1–1.4 L/dia para crianças em idade escolar); evitar refrigerantes e cafeína.
    • • Urinar regularmente durante o dia, a cada 2 a 3 horas; urinar antes de dormir.
    • • Tratar a prisão de ventre, se presente.
    • • Não levantar a criança (levá-la ao banheiro à noite) como estratégia a longo prazo não ajuda a criança a aprender a acordar.
    • • Sistemas de recompensa positiva (tabelas de estrelas para comportamentos acordados, NÃO para noites sem urinar)
    • • Reduzir a ansiedade dos pais/filhos — tranquilizando-os de que isso é comum e geralmente se resolve sozinho.
  2. Etapa 2 — Alarme de Enurese (tratamento ativo de primeira linha, >5 anos):
    • • Tratamento de longo prazo mais eficaz — alcança a eliminação completa da umidade em aproximadamente 60 a 70% dos casos, com resposta sustentada.
    • • Requer criança e família motivadas
    • • Deve ser utilizado por um período mínimo de 3 meses ou até 14 noites consecutivas sem incontinência urinária.
    • • Disponível através de serviços de incontinência
  3. Etapa 3 — Desmopressina (curto prazo ou quando o alarme não for apropriado):
    • • ADH sintético — reduz a produção de urina à noite
    • . Comprimido oral: 0.2 mg ao deitar; pode-se aumentar para 0.4 mg em caso de resposta parcial.
    • . Solução sublingual de dissolução (DDAVP Melt): 120–240 microgramas ao deitar
    • • Particularmente útil para pernoites, acampamentos e situações de curta duração.
    • . Restrição de líquidos necessária: Restrição de líquidos por 1 hora antes até 8 horas após a dose — risco de hiponatremia se não for seguida.
    • • Suspender o uso em caso de vômito/diarreia (risco de hiponatremia)
    • • Reavaliação após 3 meses; considerar a suspensão temporária do tratamento.
  4. Etapa 4 — Combinação ou encaminhamento para especialista:
    • • Alarme + desmopressina para casos refratários
    • • Encaminhe ao serviço de incontinência, à clínica de enurese pediátrica ou ao CAMHS (Serviço de Saúde Mental Infantil e Adolescente) se: houver enurese secundária, sintomas diurnos, impacto psicológico ou falha das medidas acima.
    • • A oxibutinina pode ser adicionada se for identificado um componente de bexiga hiperativa.

🚩 Quando encaminhar/investigar mais a fundo:

  • • Enurese secundária sem causa aparente
  • • Enurese diurna associada à enurese noturna
  • • Teste de urina positivo (infecção do trato urinário, glicosúria)
  • • Suspeita de diabetes mellitus ou insípido
  • • Sintomas ou sinais neurológicos
  • • Preocupações com a proteção
  • • Falha na resposta a 2 ciclos de tratamento adequados.

🚨 Encaminhamentos no mesmo dia

Quando encaminhar pacientes para avaliação pediátrica urgente

Ligue imediatamente para o serviço de ambulâncias 999:

  • • Vias aéreas, respiração e circulação comprometidas
  • • Nível de consciência reduzido
  • • Estado de mal epiléptico
  • • Suspeita de meningite/septicemia
  • • Anafilaxia
  • • Desidratação grave/choque
  • • Trauma grave

Encaminhamento hospitalar no mesmo dia

Respiratório:
  • • Asma grave/chiado no peito
  • • Estridor em repouso
  • • Dificuldade respiratória significativa
  • • Saturação de oxigênio <92%
  • • Suspeita de pneumonia com complicações
Gastrointestinal:
  • • Vômito com bile
  • • Sinais de obstrução intestinal
  • • Suspeita de invaginação intestinal
  • • Desidratação grave
  • • Abdômen agudo
Neurológico:
  • • Primeira convulsão
  • • Período pós-ictal prolongado
  • • Sinais de aumento da pressão intracraniana
  • • Déficit neurológico agudo
  • • Suspeita de lesão não acidental
Outro
  • • Suspeita de cetoacidose diabética
  • • Torção testicular
  • • Inchaço articular agudo
  • • Suspeita de malignidade
  • • Preocupações com a proteção

Informações de Referência

Informações essenciais a serem incluídas:
  • • Nome da criança, data de nascimento, endereço, número do NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido)
  • • Dados de contato dos pais/responsáveis
  • • Apresentação da queixa e duração
  • • Histórico relevante e resultados do exame físico
  • • Sinais vitais e observações
  • • Qualquer tratamento administrado
  • • Motivo do encaminhamento e urgência
  • • Seus dados de contato

🛡️ Proteção

Reconhecer o abuso, compreender os procedimentos e proteger crianças vulneráveis.

Atenção: Existe uma página inteira da Bradford VTS dedicada à proteção infantil. Esta seção é um breve resumo dos pontos principais para consulta rápida.

🚩 Sinais de alerta de abuso físico:

  • • Atraso na procura por atendimento médico
  • • Relato inconsistente com as lesões
  • • Atendimentos repetidos devido a lesões
  • • Padrão incomum de lesões
  • • Lesões em crianças imóveis
  • • Hematomas em áreas protegidas
  • • Marcas de aperto, marcas de mordida
  • • Queimaduras com demarcação nítida
  • • Fraturas em crianças imóveis

⚠️ Fatores de risco:

Fatores parentais:

  • • Abuso de substâncias
  • • Problemas de saúde mental
  • • Violência doméstica
  • • Isolamento social
  • • Pais jovens
  • • Histórico de abuso

Fatores relacionados à criança:

  • • Incapacidade
  • • Doença crônica
  • • Nascimento prematuro
  • • Temperamento difícil

📝 Ação necessária:

Caso tenha alguma dúvida:

  1. 1. Converse com o responsável pela proteção de menores.
  2. 2. Entre em contato com os serviços de proteção à criança.
  3. 3. Documente tudo
  4. 4. Siga os procedimentos locais
  5. 5. Considere a segurança imediata.

Documentos necessários:

  • • Data, hora, local
  • • Quem estava presente
  • • Descrição objetiva das lesões
  • • Orçamentos exatos (criança e pai)
  • • Suas observações e preocupações
  • • Ações tomadas

Indicadores Emocionais/Comportamentais

Comportamento infantil:
  • • Vigilância congelada
  • • Submissão ou agressão excessivas
  • • Regressão do desenvolvimento
  • • Comportamentos de autolesão
  • • Comportamento sexualizado (inadequado para a idade)
  • • Medo de voltar para casa
Interação Pai-Filho:
  • • Interação inadequada entre pais e filhos
  • • Pais mais preocupados consigo mesmos
  • • Falta de preocupação com o sofrimento da criança
  • • Culpar a criança
  • • Expectativas irrealistas

Lembre-se: seu papel é identificar preocupações e encaminhar os casos adequadamente. Não se espera que você investigue ou prove abusos. Em caso de dúvida, procure orientação do responsável pela proteção da criança ou dos serviços de proteção à infância. A segurança da criança é primordial.

🎯 Lembre-se: Você consegue!

A pediatria pode parecer complexa, mas com uma avaliação sistemática (ABC + RED BURT), boas medidas de segurança e confiança no instinto parental, você tomará as decisões certas. Em caso de dúvida, procure aconselhamento – é para isso que a equipe de pediatria está lá!

☕ Agora vá se recompensar com aquele café bem merecido.
Voltar ao Topo